MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO - Assis Chateaubriand
- | A | +
15/07/2013

Está disponível para leitura online uma prévia do catálogo da exposição Lucian Freud: Corpos e Rostos.

O livro está disponível para compra na Loja do MASP.

 

 
12/07/2013
Acompanhando a recente abertura da exposição Lucian Freud - Corpos e Rostos, a Biblioteca e Centro de Documentação do MASP selecionou de sua vasta coleção algumas publicações dos artistas relacionados à Escola de Londres. Este grupo, do qual Freud se aproximou, deriva do conjunto proposto por R. B. Kitaj em 1976 por ocasião da exposição “Human Clay” em que além dos artistas citados, também participaram nomes como Michael Andrews, Frank Auerbach, Francis Bacon e Leon Kossoff. 
 
O grupo se manteve fiel a pintura figurativa mesmo em uma época em que tais meios vinham sendo questionados amplamente por novas formas de arte e foi conhecido por renovar um campo já considerado estéril por muitos, revelando uma prática meticulosa relacionada aos materiais próprios da pintura.
 
A bibliografia disponível na biblioteca é uma boa porta de entrada para ampliar a percepção dos trabalhos de Freud e de conhecer a produção dos outros artistas do grupo. Também revela as relações deles com o MASP, como o caso da exposição realizada em 1973 “Quatro Mestres Contemporâneos” que Francis Bacon participou, e o quadro de R. B. Kitaj “Postscript - The Secret War of Josephine Baker” pertencente à coleção do museu.
 
 
 
Para consulta de todo o acervo da biblioteca acesse nosso catálogo online. Ou entre em contato pelo e-mail: biblioteca@masp.art.br ou pelo telefone 3253-6483. O horário de atendimento ao pesquisador é de segunda a sábado das 13 às 17h.
01/07/2013

Vencedor na categoria Talento emergente do Prêmio MASP de Artes Visuais 2012, Paulo Nazareth não possui fronteiras.

Desde seu nascimento, em 1977, em Governador Valadares, havia uma necessidade de conexão entre seu corpo e o ato de andar: ele observava o caminhar das demais pessoas e queria fazer parte desse mundo independente. “Se eu posso andar, não preciso de carro. Se um carro quebra ou acaba a gasolina no meio da estrada, tenho que esperar por ajuda. Mas quando depende apenas dos meus pés, não preciso esperar.”

Aos 35 anos, Nazareth não esperou e realizou uma das performances artísticas mais comentadas dos últimos tempos, Notícias de América (2011-2012). Munido apenas de um saco de estopa com poucas roupas, a imagem de São Judas Tadeu no bolso da calça e um par de sandálias de borracha, partiu de sua casa no “conjunto habitacional favelizado” em Palmital, Santa Luzia, região metropolitana de Belo Horizonte, e justamente com os pés decidiu percorrer milhares de quilômetros com o intuito de acumular poeira da América Latina nos pés e com estes adentrar ao território estadunidense.

Ele não queria simplesmente pegar um avião para o primeiro destino, Nova York, mas sim fazer do trajeto sua arte. Tendo caminhado muitos quilômetros, pego diversas caronas, perdido sete quilos em seis meses e 15 dias, Nazareth não lavou os pés em nenhum momento. Isso fazia parte de sua obra, ele precisava da América Latina em seus pés para levar sua poeira até os Estados Unidos. Ao chegar em seu destino, banhou os pés no rio Hudson. Já em Miami, inspirado pela República das Bananas, Nazareth fez sua instalação intitulada Banana Market, uma Kombi repleta de bananas, as quais assinou e vendeu por $10 cada.

A obra de Paulo Nazareth entrelaça ideias, linguagens e ações com o intuito de estabelecer uma conexão exis- tente entre as pessoas e o ambiente no qual estão inseridas, relacionando raça, ideologia e diferenças sociais. Entende-se essa visão pois, antes mesmo de criar o burburinho no mundo da arte contemporânea, Nazareth passou por diversos empregos, como jardineiro, padeiro, balconista e limpador de banheiro, além de cuidar de porcos, até decidir se expressar através da arte. Foi, então, que em 1998 resolveu estudar entalhe em madeira com o artista popular baiano, Mestre Orlando. Seguiu os estudos e, em 2006, formou- se em desenho e gravura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

De lá para cá, buscando a conexão entre obra, artista e memórias, Nazareth teve mostras individuais pelo Brasil, mas não se desvencilhou da performance. Em A Carne (2005), o artista aparece com um pedaço de carne amarrada no rosto, assim como também chamou atenção por comer os próprios cabelos em Cruzeiro do Sul: acredito que seja a cor da minha pele (2010) ou em Dente de Elefante (2007) em que atravessou a cidade de Belo Horizonte com a boca constantemente aberta, mostrando a falta de um dente frontal. “Meu trabalho é sobre essas misturas e encontros de muitas pessoas no Brasil. Religião é misturada, a raça é misturada e mesmo a filosofia é misturada. Existem muitas camadas.”

 

O Prêmio MASP de Artes Visuais tem como objetivo incentivar a arte no país, criar condições para o reconhecimento de artistas já estabelecidos e estimular novos talentos, trazendo-os também para a programação e acervo do MASP.

 

 

27/06/2013

Durante o mês de julho, o Serviço Educativo do MASP promoverá atividades diversificadas para o público visitante avulso, tanto de investigação de obras expostas, como de práticas de ateliê para famílias. 

Já o Ateliê do MASP passará a ser oferecido em três horários diários: às 10h30, às 13h30 e às 15h15.O público alvo dessa atividade são grupos familiares em visita ao museu nesse período. Às terças-feiras, o acesso sempre será gratuito, e nos demais dias da semana o acesso se fará com a aquisição de ingresso do museu. Para participar, é necessário sempre retirar uma senha numerada na Bilheteria.

De 10 a 31 de julho, de terças a sextas-feiras.15 vagas por horário. Crianças até 10 anos e maiores de 60 tem acesso gratuito

27/06/2013

Gravadora, pintora, escultora, artista multimídia e desenhista, Anna Maria Maiolino é uma artista versátil e, principalmente, do mundo. Tanto sua arte quanto ela própria já foram para os quatro cantos do planeta, entretanto o Brasil foi o país adotado como lar e ateliê. Nascida na Itália, em 1942, Anna Maria viveu uma vida de peregrina: mudou-se com a família para Venezuela em 1954, onde, quatro anos depois, iria matricular-se na Escola Nacional Cristobal Rojas, em Caracas, no curso de Arte Pura.

O mesmo Brasil que, nos anos 1960, Anna Maria Maiolino adotou como terra a fez vencedora da primeira edição do Prêmio Masp/Mercedes-Benz de Artes Visuais 2012. E, nesse ano, as alegrias e o reconhecimento de sua obra e legado não foram apenas por aqui; lá em Kassel, Alemanha, a instalação Here & There (Aqui & Lá) foi uma das obras mais comentadas da 13ª edição da Documenta, a maior exposição de arte contemporânea do mundo.

Tendo uma casinha de jardineiro no parque Karlsaue para a instalação, Anna Maria mostrou como sua arte foi influenciada e germinada nas terras tupiniquins ao ocupar em tos espaços, do porão ao sótão, argila modelada, cheiros e sons, misturando os espaços internos com externos, e adicionando a tudo isso sons de pássaros brasileiros tirados de instrumentos indígenas.

Tanto aqui quanto lá fora, a importância e participação da artista no cenário é inegável. Em 1967, junto com Hélio Oiticica da exposição Nova Objetividade Brasileira, que reuniu diferentes vertentes das vanguardas, como Rubens Gerchman, Lygia Clark, Antonio Dias e Lygia Pape, e assinou o manifesto Declaração dos Princípios Básicos da Vanguarda. Então, no ano seguinte, tornou-se cidadã brasileira, mas partiu para estudar no Pratt Graphic Center, em Nova York, entre 1968 e 1971.

Nesses 50 anos de carreira, a curiosidade e as questões fizeram com que Anna Maria se destacasse no mundo da arte contemporânea, como em seu trabalho Por um Fio (1976) no qual aponta a questão da natureza que se repete ao infinito: os laços de família ligados por gerações e genes. As experimentações, novas mídias e a produção sem limites vieram nos anos 1970, dos quais se lembra com carinho: "Meu trabalho com Super 8 era uma maneira de refletir sobre o mundo. Havia muita experimentação e com a Super 8 fui movida pela curiosidade de como usar a câmera e como falar através da imagem em movimento".

Com o filme In-Out, Antropofagia, seu primeiro trabalho em vídeo, a artista foi premiada no 1º Festival do Filme Super-8, em Curitiba, Paraná. Após participar de diversos festivais ao redor do mundo, no final dos anos 1970 a artista passa a dedicar-se às performances: Em 1978, realizou Mitos Vadios num terreno baldio da rua Augusta, em São Paulo, e, em 1981, na rua Cardoso Júnior, Entrevidas, no qual dúzias de ovos de galinha são espalhados pelo chão, para que o público se sentisse como num campo minado.

Entre todos os anos dedicados à arte e experimentações, Anna Maria teve diversas exposições retrospectivas, como Anna Maria Maiolino: Territories of Immanence, na Miami Art Central (2006); Muitos, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil (2005); E em 2002, no The Drawing Center em Nova Iorque, acompanhada do livro “A Life Line/Vida Afora”. Mas, há dois anos, a Fundação Antoni Tàpies de Barcelona, Espanha, realizou uma importante e extensa retrospectiva da sua obra, que também passou pelo Centro Galego de Arte Contemporânea em Santiago de Compostela (Espanha) e em Malmö Konsthall, na Suécia. Foi a primeira grande exposição de Anna Maria Maiolino na Europa. Foi sua reaproximação através da obra ao lugar de nascença. "O Tàpies mostrou um pouco de tudo que fiz nos últimos 50 anos: fotografia, instalação, escultura, desenho. Foi uma satisfação muito grande." 

 

O Prêmio MASP de Artes Visuais tem como objetivo incentivar a arte no país, criar condições para o reconhecimento de artistas já estabelecidos e estimular novos talentos, trazendo-os também para a programação e acervo do MASP.