MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO - Assis Chateaubriand
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Maria Auxiliadora da Silva, Três mulheres (1972)
SEMINÁRIO: HISTÓRIAS DA SEXUALIDADE

16 e 17.9.2016, das 9h30 às 16h30 

AUDITÓRIO MASP UNILEVER 
GRATUITO 
Inscrições online (limitadas) ou retirada de senhas na bilheteria a partir das 9h 

Histórias da sexualidade é a primeira parte de um projeto de longo prazo do MASP, que incluirá uma exposição a ser inaugurada em outubro de 2017. 
O Brasil tem sido lugar de intensos debates sobre temas relacionados à identidade de gênero, educação sexual e violência contra as mulheres. Embora haja uma forte presença de mulheres artistas no cânone histórico da arte brasileira – de Tarsila do Amaral (1886-1973) a Anita Malfatti (1889-1964), de Lygia Clark (1920-1988) a Lygia Pape (1927-2004), e inúmeras outras – e uma produção artística significante que aborda questões de sexualidade – incluindo os trabalhos de Leonilson (1957-1993), Hudinilson Jr (1957-2013) e Marcia X (1959-2005), ou a performance de Flávio de Carvalho (1899-1973) –, os debates sobre gênero, feminismo e sexualidade, sejam na crítica de arte ou na academia, permanecem ainda bastante incipientes.  

Nesse contexto, o seminário pretende não apenas tratar de tópicos que têm sido mais predominantes nos debates internacionais, mas também gerar novas reflexões, estimulando as discussões que formarão o projeto de Histórias da sexualidade nos próximos anos. 

Apesar da coincidência com o título de obra de Michel Foucault, História da sexualidade (1976), o projeto do MASP tem um título plural e está relacionado a um longo programa do museu em relação à abordagem de diversas histórias: abertas, plurais, inacabadas e não totalizantes, abrangendo não só relatos históricos de caráter político, econômico e social, mas também narrativas pessoais e fictícias. 

A discussão do seminário de dois dias está planejada ao redor dos circuitos e territórios da sexualidade no espaço urbano, abrangendo temas como ativismo e esfera pública, feminismos, queer e movimento LGBT, assim como prostituição e performatividade de gênero, todos em conexão com a cultura visual e a prática artística. 

Convidados: Amara Moira (Unicamp, São Paulo); Cecilia Fajardo-Hill (Museu Hammer, Los Angeles); Cornelia Butler (Museu Hammer, Los Angeles); Daniela Andrade (Grupo de Advogados pela Diversidade Sexual e de Gênero, São Paulo); Fernanda Carvajal (Universidade de Buenos Aires); Laura Moutinho (Universidade de São Paulo); Luciano Migliaccio (Museu de Arte de São Paulo e Universidade de São Paulo); Nina Power (University of Roehampton, Londres); Övül Durmuşoğlu (YAMA, Istambul e Berlim); Renan Quinalha (Universidade de São Paulo); Richard Meyer (Stanford, Estados Unidos); Sérgio Carrara (UERJ, Rio de Janeiro).

PROGRAMAÇÃO

SEXTA-FEIRA, 16 DE OUTUBRO

Introdução

Mesa 01

Mesa 02

Mesa 03

Mesa 04

SOBRE OS PALESTRANTES

Amara Moira
Travesti, prostituta, doutoranda em Teoria e Crítica Literária pelo Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), feminista e militante dos direitos de LGBTs e de profissionais do sexo. É autora do livro E se eu fosse puta(hoo editora, 2016), em que fala da experiência como prostituta de uma perspectiva literária ao mesmo tempo que feminista, tentando apresentar ao leitor em detalhe como seria a vida que o mundo reserva a travestis e prostitutas. 

Cecilia Fajardo-Hill 
Historiadora da arte e curadora em arte moderna e contemporânea, especializada em arte latino-americana. É doutora em História da Arte pela Universidade de Essex, Inglaterra. Atualmente é curadora convidada do Museu Hammer, em Los Angeles, como co-curadora da exposição The Political Body: Radical Women in Latin American Art, 1960-1985, a ser inaugurada em 2017 com apoio da iniciativa Pacific Standard Time: LA/LA, do Instituto Getty. É também curadora-chefe da plataforma Space Collection e de sua iniciativa Abstraction in Action, projeto sobre abstração contemporânea na América Latina.

Cornelia Butler
Curadora-chefe do Museu Hammer, em Los Angeles, onde tem organizado diversas exposições, como Mark Bradford: Scorched Earth (2015) e Marisa Merz: The Sky Is a Great Space (2017). Butler foi curadora-chefe de desenhos da Fundação Robert Lehman no Museu de Arte Moderna em Nova York, onde montou a primeira grande retrospectiva de Lygia Clark nos Estados Unidos em 2014 e foi co-curadora da exposição On Line: Drawing Through the Twentieth Century (2010). Como curadora do Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles, Butler organizou a exposição WACK! Art and the Feminist Revolution (2007).

Daniela Andrade
Militante e ativista trans, busca em sua luta a atenção para a causa dos direitos humanos no Brasil. É membro do Grupo de Advogados pela Diversidade Sexual e de Gênero (GADVS), formada em Letras e Análise de Sistemas. É co-criadora dos sitesTransempregos e Transerviços e atua ativamente na promoção dos direitos das pessoas transexuais e travestis.

Fernanda Carvajal
Socióloga, pesquisadora e professora. Atualmente é doutoranda em Ciências Sociais na Universidade de Buenos Aires. É co-autora do livro Nomadismos y Ensamblajes. Compañías teatrales en Chile 1990-2008 (Cuarto Próprio, 2009), com artigos publicados sobre arte contemporânea. É integrante da Rede Conceitualismos do Sul e da equipe de coordenação do livro e da exposição Perder La Forma Humana. Una Imagen Sísmica de los Años Ochenta en América Latina (Museu Reina Sofía, 2012). Seu campo de investigação inclui os cruzamentos entre arte, sexualidade e política no Cone Sul a partir dos anos 1970. 

Laura Moutinho
Professora do Departamento de Antropologia e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade de São Paulo (PPGAS-USP) e doutora em Antropologia Cultural pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Realizou pós-doutorado na Universidade de Princeton e é bolsista produtividade do CNPq. Foi pesquisadora visitante no Instituto Africano de Gênero da Universidade da Cidade do Cabo e professora visitante de Relações Públicas e Internacionais na Universidade de Princeton. Publicou o livro Razão, cor e desejo: uma análise dos relacionamentos afetivo-sexuais inter-raciais no Brasil e África do Sul (Unesp, 2004). 

Luciano Migliaccio
Curador-adjunto de arte europeia do MASP e professor doutor de História da Arte no Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). É formado em História da Crítica de Arte pela Escola Normal Superior de Pisa, Itália. Foi bolsista da Fundação Roberto Longhi em Florença. Obteve doutorado em História da Arte Medieval e Moderna pela Universidade de Pisa em 1990.

Nina Power
Professora titular em Filosofia na Universidade de Roehampton e mestre em Escrita Crítica em Arte e Design pelo Royal College of Art, em Londres. Power escreve sobre filosofia, política, protesto e feminismo. É membro-fundadora do grupo da campanha Defend the Right to Protest e autora do livro One Dimensional Woman (Zero Books, 2009).

Övül Durmu?o?lu

Curadora e escritora baseada em Berlim e Istambul. Diretora e curadora do YAMA Screen em Istambul. Recentemente foi curadora de Future Queer, exposição de aniversário de vinte anos da mostra realizada pela associação Kaos GL em Istambul. Durmu?o?lu organizou diversos programas públicos para a dOCUMENTA13, com apoio do Instituto Goethe. É colaboradora de diversas publicações impressas e on-line, como WdW Review, Frieze d/e, Art Agenda, Istanbul Art News e Art Unlimited.

Renan Quinalha
Advogado e ativista de direitos humanos. Tem formação em Direito e Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP), onde fez mestrado em Sociologia Jurídica e atualmente cursa doutorado em Relações Internacionais. Trabalhou na Comissão da Verdade e foi pesquisador visitante na Universidade Brown (Estados Unidos). É autor de Justiça de transição: contornos do conceito (Expressão Popular, 2013) e co-organizador de Ditadura e homossexualidades: repressão, resistência e a busca da verdade (EdUFSCar, 2014).

Richard Meyer
Professor de História da Arte da Fundação Robert e Ruth Halperin na Universidade de Stanford, onde leciona cursos sobre arte americana no século 20, estudos de gênero e sexualidade, censura às artes e história da fotografia. É autor de What Was Contemporary Art? (MIT Press, 2013) e Art and Queer Culture (Phaidon, 2013), com Catherine Lord. Seu primeiro livro, Outlaw Representation: Censorship and Homosexuality in Twentieth-Century American Art (2002)recebeu o Prêmio de Excelência Charles C. Eldredge do Museu Smithsonian American Art e será relançado em 2017 pela editora Echo Point. 

Sérgio Luís Carrara

Doutor em Antropologia Social pelo Museu Nacional/UFRJ. Desde finais dos anos 1980, tem trabalhado de um ponto de vista histórico e/ou etnográfico com questões relativas à sexualidade - doenças sexualmente transmissíveis, sexologia, violência homofóbica e política sexual. Atualmente, é professor do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).