MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO - Assis Chateaubriand
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Maria Auxiliadora da Silva, Três mulheres (1972)

SEMINÁRIO A MÃO DO POVO BRASILEIRO 28.11.2015

O seminário propôs a discussão das ideias de arte e cultura do povo brasileiro por ocasião da reencenação, em 2016, da mostra A mão do povo brasileiro, organizada por Lina Bo Bardi no MASP, em 1969. A exposição original teve como objetivo mostrar a rica cultura material do Brasil, desde as regiões do sertão do Nordeste até o Sul do país. Expunha mais de 2 mil objetos, incluindo carrancas, ex-votos, santos, tecidos, vestuário, mobiliário, ferramentas, utensílios de cozinha, instrumentos musicais, adornos, brinquedos, esculturas, figuras religiosas, bem como pintura e escultura. Parte de um projeto da arquiteta que procurava inscrever arte e cultura popular dentro dos domínios do museu de arte, a exposição foi um desdobramento de duas outras anteriores, organizadas por Lina — Bahia no Ibirapuera, realizada em São Paulo, em 1959, e Nordeste, mostra inaugural do Museu de Arte Popular do Unhão, em Salvador, em 1963. O seminário que precedeu a nova apresentação de A mão do povo brasileiro, no 2o semestre de 2016, ofereceu a oportunidade para explorar as questões sobre a concepção da mostra, incluindo a problemática em torno da noção de "arte popular", e as implicações de uma prática museológica descolonizada, resistente aos discursos hegemônicos de tradições eurocêntricas.

ASSISTA ÀS APRESENTAÇÕES

Mesa 1
Introdução de Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP. Mesa redonda com Ana Carolina Bierrenbach, Marcelo Suzuki e Durval Muniz de Albuquerque Junior. Mediação de Adriano Pedrosa.

Mesa 2
Mesa redonda com Adélia Borges e Heloísa Buarque de Hollanda. Mediação de Tomás Toledo, curador do MASP.

Mesa 3
Mesa redonda com Flávia Toni, Elvira Espejo e Julieta González. Mediação de Luiza Proença, curadora do MASP.

PROGRAMA

9h30 – 10h30 Credenciamento

10h30 – Introdução Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP

 

Mesa 1
11h – 13h
 

Ana Carolina Bierrenbach

As tramas de Lina Bo Bardi para suas ações na Bahia entre 1958 e 1964

Marcelo Suzuki
Erudito e popular em Lina Bo Bardi

Durval Muniz de Albuquerque Junior

Um povo sem cabeça, soltando arte pelas mãos: anotações históricas acerca de A mão do povo brasileiro

Mediação: Adriano Pedrosa


Mesa 2
14h30 – 16h

Adélia Borges

Fronteiras em questão

Heloísa Buarque de Hollanda
Estética da periferia, um protótipo

Mediação: Tomás Toledo, curador do MASP


Mesa 3
16h30 – 18h30

Flávia Toni
Mario de Andrade e suas cuias de Santarém

Elvira Espejo
A coleção têxtil do Museo Nacional de Etnografia y Folclore (MUSEF, La Paz) como tema articulador para outras exposições

Julieta González
Repensando e reencenando A mão do povo brasileiro

Mediação: Luiza Proença, curadora do MASP

SOBRE OS PALESTRANTES

Adélia Borges é crítica, historiadora de design e artesanato e curadora. É autora de mais de uma dezena de livros, entre eles Design + artesanato: o caminho brasileiro (2011). Entre 2003 e 2007 foi diretora do Museu da Casa Brasileira, em São Paulo. Jornalista formada pela Universidade de São Paulo (USP) em 1973, é colaboradora de várias publicações, com textos publicados em sete línguas. Fez a curadoria de mais de quarenta exposições no Brasil e no exterior. No momento, integra a comissão curatorial do Cooper-Hewitt Design Museum, de Nova York, e da London Design Biennial.

Ana Carolina de Souza Bierrenbach é professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, ambos na Universidade Federal da Bahia (UFBA).  Suas dissertações de mestrado e doutorado foram dedicadas a Lina Bo Bardi, com os títulos: Os restauros de Lina Bo Bardi e as interpretações da história (UFBA, 2001) e El caracol y el lagarto: abstracción y mímesis en la arquitectura de Lina Bo Bardi (Escuela Técnica Superior de Arquitectura de Barcelona, 2006), respectivamente. É autora de diversos artigos sobre Lina Bo Bardi e foi organizadora dos eventos 50 anos de Lina Bo Bardi na encruzilhada da Bahia e do Nordeste (2009) e Centenário de Lina Bo Bardi – tempos vivos de uma arquitetura (2014).

Durval Muniz de Albuquerque Junior é mestre e doutor em História pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP, 1988 e 1994). Atualmente é professor permanente do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Publicou os livros: A invenção do Nordeste e outras artes (1999); Nordestino: invenção do ‘falo’: uma história do gênero masculino (2003); A feira dos mitos: a fabricação do folclore e da cultura popular (2013); O morto vestido para um ato inaugural: procedimentos e práticas dos estudos de folclore e cultura popular (2013), entre outros.

Elvira Espejo é diretora do MUSEF (Museo Nacional de Etnografia y Folclore) em La Paz, Bolívia. É artista visual, tecelã, poeta e pesquisadora. Foi docente do curso Linguagens nos escritos dos andes, dentro do programa da Duke University em Los Andes (Chile, 2005) e na Summer School in Andean Studies, dentro do programa de Lengua y Cultura Aymara em parceria com a University of California, San Diego (2008 – 2010). É co-autora de Hilos sueltos: los Andes desde el textil (2007), Ciencia de las mujeres (2010), Ciencia de tejer en los Andes: estructuras y técnicas de faz de urdimbre (2012) e El textil tridimensional: el tejido como objeto y como sujeto (2013).

Flávia Toni é professora titular e musicóloga do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da Universidade de São Paulo (USP), integrando a Equipe Mário de Andrade; onde orienta no Programa de Pós-Graduação Culturas e Identidades Brasileira. Suas áreas de interesse em torno da obra de Mário de Andrade compreendem as pesquisas do intelectual sobre música brasileira, gestão cultural e patrimônio imaterial.  Na década de 1980 estudou o acervo constituído pela Missão de Pesquisas Folclóricas, em 1938, participando dos projetos que conduziram ao restauro, preservação e divulgação da coleção. Preparou, entre outras edições anotadas, o Dicionário musical brasileiro (1989), a Enciclopédia brasileira (1993), Introdução à estética musical (1995). Publicou A música popular brasileira na vitrola de Mário de Andrade (2004).

Marcelo Suzuki é arquiteto formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU USP) e é professor-doutor no Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP em São Carlos. Trabalhou com a arquiteto Lina Bo Bardi de 1981 até seu falecimento, em 1992. Foi sócio-fundador do escritório Brasil Arquitetura (1979) e da Marcenaria Baraúna (1985) em conjunto com os arquitetos Francisco P. Fanucci e Marcelo C. Ferraz, e permaneceu até 1995, quando fundou com a arquiteto Maristela Faccioli o escritório Marcelo Suzuki Arquitetura e Urbanismo. Recebeu por duas vezes o Prêmio Rino Levi do Instituto de Arquitetos do Brasil, São Paulo, e tem ampla gama de projetos construídos e design de mobiliários executados. Organizou o livro Tempos de grossura: o design no impasse (1994) reunindo escritos de Lina Bo Bardi e outros autores.

Heloisa Buarque de Hollanda é professora emérita de Teoria Crítica da Cultura na Escola de Comunicação e coordenadora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea na Faculdade de Letras, ambos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Desenvolve o projeto Universidade das Quebradas, baseado no conceito de ecologia dos saberes. Atualmente, seu foco principal são as questões relativas ao cruzamento da tecnologia, cultura e desenvolvimento. É autora de muitos livros, entre eles: 26 poetas hoje (1976) e Feminismo como crítica da cultura (1994).

Julieta González
é curadora-adjunta de Arte Moderna e Contemporânea do MASP, e curadora chefe e diretora interina do Museo Jumex, na Cidade do México. Recentemente ocupou os cargos de curadora sênior do Museo Rufino Tamayo, na Cidade do México, e curadora-adjunta do Bronx Museum, em Nova York. De 2009 a 2012, foi curadora associada de Arte Latino-Americana da Tate Modern, de Londres; de 1999 a 2001, curadora do Museo Alejandro Otero, de Caracas; e de 1994 a 1997 e 2001 a 2003, curadora do Museo de Bellas Artes de Caracas. Foi cocuradora da 2ª Trienal Poligráfica de San Juan, além de outras exposições em diversas instituições culturais.

INFORMAÇÕES GERAIS

Seminário A mão do povo brasileiro

Dia 28.11.2015, sábado
Horário: 11h às 18h
Local: Auditório MASP Unilever (1º subsolo do MASP)
Capacidade: 320 vagas presencial (Auditório MASP Unilever), 80 vagas para transmissão simultânea (no Pequeno Auditório). A atividade é aberta e gratuita para pesquisadores e público interessado. Contato: seminario@masp.org.br