MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO - Assis Chateaubriand
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Oficinas: A mão do povo brasileiro 1969/2016

Como parte da programação da exposição A mão do povo brasileiro, 1969/2016, o MASP realiza, de setembro a dezembro de 2016, um conjunto de sete oficinas quinzenais buscando identificar as formas de produção e compartilhamento de fazeres populares. Foram reunidas proposições de grupos, artistas e agentes que atuam majoritariamente em São Paulo, sobretudo em comunidades distantes dos grandes centros culturais da cidade. Cada oficina tem duas sessões (aos sábados e domingos, das 14h às 17h), o que permite o aprofundamento e a ampliação da troca e convivência entre os participantes.

“O Museu de Arte de São Paulo é popular”, declara Lina Bo Bardi, nos anos 1970. Nas entrelinhas de tal enunciado, encontra-se certa disposição pedagógica: o museu entendido como o lugar de troca de conhecimentos e práticas de trabalho artísticas e culturais. Nos projetos de Lina para uma Escola de Desenho Industrial e um Centro de Estudos e Trabalho Artesanal, previstos para serem implementados nos museus concebidos por ela na Bahia, artesãos e estudantes de arte, arquitetos e designers conviveriam em um programa pedagógico composto por oficinas práticas, cursos teóricos e exposições.

Pode-se afirmar que os processos de organização do trabalho no atual contexto sociopolítico mundial desvinculam violentamente o saber do fazer, a concepção da execução. Assim, a força do “popular” residiria na conciliação de tais dimensões da atividade humana, contrapondo-se à produção em escala industrial, que igualmente exclui determinados segmentos sociais de sua esfera de representação.

O atual programa de oficinas do MASP, em resposta a tal contexto e em diálogo com a concepção de escola e museu de Lina Bo, é um convite para aprender sobre saberes populares de diversas origens e circunstâncias, tais como a confecção de renda renascença acompanhada da entoação de cantos ligados ao trabalho; técnicas de construção de mobiliário desenvolvidas por moradores de uma ocupação; produção de brinquedos e jogos tradicionais; e métodos de escrita e declamação de poesia. Assim, a série de oficinas espera construir um espaço de diálogo para a preservação e atualização desses saberes, ativando, friccionando ou tornando complexa sua relação com os objetos expostos no museu.

Bonecas Abayomi e carrinhos de lata
com Abayomi Ateliê e Milton Cruz
10 e 11 de setembro (sábado e domingo), das 14h às 17h

Renda Renascença e cantos de trabalho
com Lucilene Silva, Oca Escola Cultural e Wilma da Silva
24 e 25 de setembro (sábado e domingo), das 14h às 17h

Brincadeiras e brinquedos populares
com Brincantes Urbanos e Piparia
8 e 9 de outubro (sábado e domingo), das 14h às 17h

Mobiliário em madeira e Café Imaginário
com Centro Cultural da Ocupação São João
22 e 23 de outubro (sábado e domingo), das 14h às 17h

Instrumentos musicais afro-brasileiros
com Vitor da Trindade e Carlos Caçapava
5 e 6 de novembro (sábado e domingo), das 14h às 17h

Sarau e Postesia
com Binho, Serginho Poeta, Ermildo Panzo e Carolina Teixeira do Sarau do Binho
19 e 20 de novembro (sábado e domingo), das 14h às 17h

Sistema de som
com África Mãe do Leão Sistema de Som
3 e 4 de dezembro (sábado e domingo), das 14h às 17h