MUSEU DE ARTE DE SO PAULO - Assis Chateaubriand
2007
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CPJS/Coleção Particular, Milton Dacosta, Figura com Chapéu

VÁRIOS ARTISTAS
ARTE E OUSADIA - O BRASIL NA COLEÇÃO SATTAMINI

Período:
29 de agosto a 28 de outubro de 2007

Iniciativa da Comgás, mostra será aberta a convidados no aniversário de 135 anos da empresa e traz Lygia Clark, Hélio Oiticica, Antônio Dias, Iberê Camargo e obras abstratas de Alfredo Volpi raramente vistas.

Noventa das principais peças do acervo do carioca João Sattamini, um dos principais colecionadores do país, desembarcam este mês em São Paulo para oferecer aos visitantes do Masp um panorama do melhor da produção brasileira da segunda metade do século 20. Arte e Ousadia - o Brasil na Coleção Sattamini, exposição viabilizada pela Comgás, marca os 135 anos da empresa e traz pela primeira vez aos paulistas parte do rico acervo do MAC Niterói, o belo museu à beira-mar projetado por Oscar Niemeyer.

A mostra será aberta ao público na quarta-feira, 29 de agosto, e fica em cartaz até 28 de outubro. Depois disso, reproduções destas obras seguem para o interior paulista, num ciclo itinerante preparado pela Comgás para difundir em todo o Estado um painel contextualizado da história destas décadas.

Dividida em cinco grandes eixos, que representam as tendências artísticas das últimas décadas, a exposição pretende mostrar como a arte refletia a história do Brasil dos anos 50 aos dias de hoje. Sob curadoria múltipla de Leonel Kaz, Luiz Camilo Osório e Luiz Guilherme Vergara, a mostra no Masp deve surpreender os paulistas pelo volume e importância do acervo, formado por obras de alguns dos mais destacados representantes da história recente das artes plásticas no país. A exposição cumpre a determinação do próprio colecionador, de tornar a sua coleção a mais pública possível: "Uma coleção só serve para ser mostrada; se não for mostrada, não serve para coisa nenhuma", afirma João Sattamini.

Síntese da arte brasileira na década de 50, as obras do grupo formado por Lygia Clark, Hélio Oiticica e Aloísio Carvão, entre outros, abrem cronologicamente a exposição, demonstrando os motivos que levam o núcleo construtivista da coleção Sattamini a ser considerado o mais significativo no Brasil, após a recente venda da coleção Leirner ao Museu de Houston, no Texas. A década de 60 estará representada por obras de Antonio Dias. Para o período seguinte, conta-se com a obra, de forte influência de motivos urbanos, de Raimundo Collares. A última etapa do percurso proposto pela mostra é composta por obras de Iberê Camargo (década de 80) e Jorge Guinle (anos 90).

A idéia é criar um notável efeito plástico de repetição de formas, cores e tendências dentro do espaço do MASP. As obras destes renomados artistas serão pano de fundo para se mostrar também, por meio de imagens fotográficas, filmes, depoimentos, o período histórico em que estão inseridas, aprofundando a notável inter-relação que existe entre a criação artística e a vida cotidiana das últimas cinco décadas no Brasil.

A exposição no MASP não propõe um percurso obrigatório. Ao contrário, as salas se intercomunicam, de modo que cada visitante possa estabelecer a opção que mais apetecer, explorando seu próprio caminho de descobertas e talentos no percurso da mostra. Na entrada, estarão obras do período construtivista de Milton Dacosta, Ione Saldanha e Alfredo Volpi. Qualquer que seja o caminho escolhido, o fechamento da exposição é feito por um "vestido", de três metros de altura, de Eliane Duarte. Um vídeo, em multivisão, apresenta aos visitantes depoimentos do colecionador, do artista Antonio Dias, dos marchands Afonso Costa e Vitor Arruda (que ajudaram Sattamini a formar a coleção) e de Guilherme Vergara, diretor do Museu de Arte Contemporânea de Niterói.

A exposição itinerante

A proposta de permear a exposição com a atmosfera do período em que as obras foram produzidas orienta também a idéia da Comgás de realizar uma exposição itinerante com réplicas dessas obras por parte do Estado de São Paulo, num presente a toda população dessas localidades por ocasião do seu aniversário de 135 anos.

As imagens das obras, reproduzidas com alta qualidade, devem gerar um painel contínuo acompanhado de textos explicativos mostrando os acontecimentos, assim como imagens de recortes de jornais, caricaturas, ilustrações diversas, marcas de produto que ambientem a época em que as obras foram produzidas. Nesse contexto, a própria presença da Comgás na construção desta história também estará retratada. A explosão dos Beatles, o uso da minissaia, o advento pleno da televisão brasileira com o programa Jovem Guarda e, logo após, o tropicalismo devem integrar o cenário que contextualiza as obras.

Estas mostras itinerantes serão montadas em praças de cidades do interior do estado de São Paulo. O material expositivo poderá ser usado em salas de aula, apoiado por material didático preparado para esta finalidade.

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