MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO - Assis Chateaubriand
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Tracey Moffatt, OTHER, 2009, em colaboração com Gary Hillberg, cortesia da artista e da Roslyn Oxley9 Gallery, Sydney

TRACEY MOFFATT
MONTAGENS

Período:
30.6.2017 a 1.10.2017

Tracey Moffatt (Brisbane, Austrália, 1960) produz vídeos, filmes e fotografias que têm como referência o universo da cultura visual; a artista utiliza-se de técnicas de direção e imagens do cinema, da história da arte e da cultura popular que giram em torno de temas como sexualidade e identidade. Os vídeos reunidos nesta mostra — LOVE [Amor, 2003], OTHER [Outro, 2009] e LIP [Atrevimento, 1999] — integram a série Montages [Montagens, 1999-2015], realizada em colaboração com o editor Gary Hillberg a partir de filmes hollywoodianos e clássicos cult. Estes trabalhos têm como foco os estereótipos e as representações de gênero, classe social e alteridade no cinema.

O vídeo LOVE [Amor] é uma compilação de trechos de filmes em que o amor romântico heterossexual é representado por declarações apaixonadas, rompimentos, rejeições ou violência. A dramaticidade das cenas é intensificada por uma trilha que perpassa os diferentes estágios de um relacionamento, em uma narrativa com começo, meio e fim. Este vídeo revela como papéis masculinos e femininos são traduzidos em clichês cinematográficos. Nas cenas, o amor é um campo de batalha, que evidencia relações de poder baseadas em gênero e posição social.

Em OTHER [Outro], colonização e desejo se confundem nas representações do “não ocidental” pelo cinema hollywoodiano. Identidade e colonialismo são temas centrais na produção de Moffatt, que tem origem aborígene. Neste vídeo, o outro é interpretado como o exótico sedutor, capaz de despertar medo, curiosidade, fascínio e desejo sexual no colonizador branco. Conforme a narrativa se desenrola, os encontros entre “colonizado” e “colonizador” se intensificam e culminam no ato sexual em si, desfazendo fronteiras e diferenças entre eles. O vídeo revela também uma construção narrativa frequente sobre a colonização veiculada pelo cinema, que, por meio de uma erotização do outro, apazigua romanticamente as violentas histórias coloniais. 

Por fim, LIP [Atrevimento] reúne trechos de filmes em que atrizes majoritariamente negras interpretam papéis de empregadas domésticas, babás, cozinheiras e garçonetes “respondendo” às patroas, mulheres brancas. O título faz referência à expressão inglesa “giving lip”, que indica atos de insubordinação, através dos quais um subalterno dirige comentários jocosos e “atrevidos” a um superior, por exemplo. Com este vídeo, Moffatt inverte a noção de subserviência por parte dessas personagens, que, com humor e ironia, satirizam comportamentos racistas e classistas. 

Esta mostra está em diálogo com as exposições Toulouse-Lautrec em vermelhoMiguel Rio Branco: Nada levarei qundo morrerWanda Pimentel: Envolvimentos Quem tem medo de Teresinha Soares?, que integram a programação anual do MASP, cujo eixo temático é a sexualidade.

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