MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO - Assis Chateaubriand
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Fotografia de monitoramento de militantes sufragistas detidas por atacarem museus e obras de arte, Departamento de Registro Criminal, 1914. © National Portrait Gallery, London.

ACERVO MASP
HISTÓRIAS FEMINISTAS | CARLA ZACCAGNINI

Período:
13.11.2015 a 13.3.2016
ACESSE A ENTREVISTA DO CURADOR FERNANDO OLIVA COM A ARTISTA CARLA ZACCAGNINI CLICANDO AQUI

Elementos de beleza: Um jogo de chá nunca é apenas um jogo de chá, obra que faz parte do acervo do MASP e é exibida pela primeira vez no Brasil, se baseia em uma pesquisa de Carla Zaccagnini sobre as suffragettes, ativistas que lutaram pelo direito de voto para a mulher na Inglaterra do início do século 20. A partir de 1909, passaram a quebrar janelas de residências de políticos e de prédios públicos, além de vitrines de lojas – alvos carregados de simbologia, no limiar entre o público e o privado. Mais tarde voltaram seus olhares, e suas armas, em direção aos museus e às narrativas que eles disseminam, em especial o poder masculino, o patriarcalismo e as representações do feminino, seja em corpos idealizados, seja em rígidos papéis sociais.

No dia 10 de março de 1914, Mary Richardson entrou na National Gallery de Londres como se fosse uma visitante comum. No entanto, depois de alguns minutos diante da Vênus ao espelho de Velázquez, empunhou uma faca de açougueiro que trazia escondida e, após quebrar o vidro que protegia a obra, desferiu sobre ela seguidos golpes, cujo resultado foram sete cortes secos na seção da pintura que mostra o torso desnudo da deusa, marcas que ela definiu como “hieroglifos”, capazes de expressar algo “para as gerações do futuro”. Sua declaração dizia ainda: “A justiça é um elemento de beleza assim como o são a cor e o traço sobre uma tela”. Por meio de seu projeto, Zaccagnini lembra que, por trás do desejo de eficácia política, pulsam nessas e em outras ações dessas militantes um certo entendimento e uma prática da visualidade muito potentes, uma certa relação com a imagem e seus mecanismos de exibição.

As sufragistas atacaram ao todo 29 obras e artefatos etnográficos e arqueológicos. Elementos de beleza se refere a essa seleção de itens, e dispõe sobre uma grande parede 23 molduras pintadas diretamente na superfície branca, nas mesmas dimensões das originais, além de seis números representando os objetos de tamanho desconhecido. O visitante é guiado por um audioguia, cujos textos fazem conjecturas sobre o que teria motivado as ativistas a escolher tal quadro e não outro, apontando para possíveis relações entre os elementos figurados e o tipo de dano que as telas sofreram.

O feminismo e a questão de gênero não são as únicas preocupações da artista neste projeto, que abrange temas tão urgentes quanto a participação das minorias nas decisões democráticas, o conservadorismo de elites políticas que resistem a mudanças, a crise das identidades sociais e da representação na esfera pública no século 20, o ativismo e o confronto às estruturas de opressão e por fim e especialmente o desafio ao poder constituído pelo sistema da arte e suas instituições, do qual faz parte o tratamento desigual dado às artistas do sexo feminino em relação a seus colegas homens. Para Zaccagnini – interessada nos desdobramentos e nas consequências políticas e culturais do discurso, na maneira como ele transita na mídia, no sistema da arte e em outros circuitos –, trata-se “de uma aposta nos objetos artísticos como agentes de um papel social e capazes de uma função política e histórica ativa, inclusive durante sua existência museológica”.

É importante notar que a obra faz sua estreia nacional em um momento social intenso, no Brasil e no mundo, em que os dilemas do modelo de representatividade política pelo voto caminha ao lado de uma maior presença das pessoas no espaço público, incluindo aí o debate sobre a renovação do feminismo no Brasil, do qual fazem parte as recentes passeatas na Avenida Paulista. Elementos de beleza é apresentada no MASP, museu cujo Vão Livre se tornou sinônimo de praça pública para todo tipo de manifestação, expondo contrastes e impasses políticos que, se podem ser considerados típicos das contradições do nosso tempo, também revelam que a luta das suffragettes por uma sociedade mais igualitária ainda não se realizou por completo.

Curadoria de Fernando Oliva, Diretoria Artística do MASP

Informações Gerais
  • Histórias feministas

    Data: 12 de novembro de 2015 a 13 de março de 2016
    Abertura: 12 de novembro, às 20h.
    Local: Mezanino do 1º Subsolo
    Endereço: Av. Paulista, 1578, São Paulo, SP
    Tel.: (11) 3149-5959.
    Horários: terça a domingo: das 10h às 18h (bilheteria aberta até 17h30); quinta-feira: das 10h às 20h (bilheteria até 19h30)
    Ingressos: R$ 25,00 e R$ 12,00 (meia-entrada)

    O MASP tem entrada gratuita às terças-feiras, durante o dia todo (10h às 18h).
    O ingresso dá direito a visitar todas as exposições em cartaz no dia da visita.
    Estudantes, professores e maiores de 60 anos pagam R$ 12,00 (meia-entrada).
    Menores de 10 anos de idade não pagam ingresso.
    O MASP aceita todos os cartões de crédito.
    Amigo MASP tem acesso ilimitado e sem filas o ano todo, saiba mais: masp.org.br/amigomasp 

    Classificação livre. Acessível a deficientes, ar-condicionado.

    Estacionamento: convênios para visitante MASP, período de até 3h. É preciso carimbar o ticket do estacionamento na bilheteria ou recepção do museu. CAR PARK (Alameda Casa Branca, 41) - Segunda a sexta-feira, 6h-23h: R$ 14,00; sábado, domingo e feriado, 8h-20h: R$ 13,00. PROGRESS PARK (Av. Paulista, 1636) - Segunda a sexta-feira, 7h-23h: R$ 15,00; sábado, domingo e feriado, 7h-18h: R$ 15,00. 

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