AS 100 MARAVILHAS

MOSTRA DE OBRAS DE ARTE SOBRE CAVALETES DE VIDRO
ARQUITETO JULIO NEVES / PRESIDENTE DA DIRETORIA DO MASP

Convocado em 1967 pelo Prefeito de São Paulo – o saudoso Brigadeiro Faria Lima – para acompanhar o andamento da implantação do projeto arquitetônico do Edifício Sede do MASP, na Avenida Paulista, desfrutei da oportunidade de encontrar diversas vezes com a mestra ou arquiteto (como preferia ser chamada), Lina Bardi, que, além de idealizadora e responsável pela implantação desse símbolo de nossa cidade, criou peças de mobiliário para utilização em espaços do novo edifício com design de significativa importância.



As mesas, bancos e sobretudo as vitrines de vidro destinadas à exposição de peças e obras de menor porte, face a sua condição de grande funcionabilidade, tem sido sempre utilizadas pelo MASP.

Os cavaletes consistentes de lâminas de vidro apoiadas em bases de concreto e destinados à exposição de obras de arte, foram idealizados pela saudosa mestra, como forma de expor, no espaço do 2º andar do Edifício, um conjunto de obras onde cada qual, colocada sobre seu próprio apoio, seria apresentada como independente das demais. É importante salientar que, como o piso deste pavimento não era plano e sim côncavo (diferença de cotas de nível entre as extremidades e o centro do Vão Livre no sentido longitudinal) seria difícil a adoção do sistema de grandes painéis apoiados no piso, para exposição das obras, a exemplo dos utilizados em praticamente todos os Museus do mundo.



O uso dos cavaletes no Espaço Expositivo do 2º andar, durante mais de 25 anos, resultou no surgimento de diversos problemas que foram analisados e relatados no parecer conjunto, elaborado sobre a museologia do Espaço Expositivo do 2º andar, pelos curadores chefes do MASP – professor Luiz Marques (1994/1997) e Luis Hossaka (a partir de 1997) e onde estão elencados 6 (seis) problemas de ordem técnica e 4 (quatro) de ordem museológica.

Com a implantação do Projeto de Revitalização do Edifício Sede do MASP, concluída em setembro de 2001, foi viabilizado o nivelamento do piso do 2º andar, possibilitando desta forma a colocação de painéis modulares, destinados à exposição de quadros e tapeçarias de qualquer dimensão ou peso, removíveis e cujo acoplamento permite a criação de espaços com áreas diversas, bem como, a necessária flexibilidade para a rápida modificação de seu posicionamento, sistema esse devidamente complementado pelo de iluminação, que proporciona a luminosidade desejada.

A Diretoria do MASP ao decidir pela realização da Exposição “As 100 Maravilhas – Impressionismo e Referências”, encontrou a oportunidade de utilizar os cavaletes de vidro, pois a montagem da mostra na Galeria Clemente de Faria, permitiu o uso de paredes para a colocação das obras de maior dimensão.

Desta forma, os cavaletes de vidro, distribuídos de forma adequada, na parte central desse importante espaço, receberam as pinturas de menor medida, passíveis de fixação nas lâminas de vidro.

Os projetos de cenografia e de iluminação realizados, respectivamente, pelos competentes professores Cyro Del Nero e Antonio Carlos Mingrone, contribuiram de forma decisiva para demonstrar a versatilidade do uso dos cavaletes quando utilizados de forma apropriada.



1. Tiziano: Retrato do Cardeal Cristoforo Madruzzo

Velázquez: Conde-Duque de Olivares
Goya: Juan Antonio Llorente

Há uma idéia que está presente em cada obra escolhida para o acervo do MASP: a arte comunica para nós da maneira mais clara a vida espiritual do homem em cada momento da sua história. Desta forma, não há diferença alguma entre obras realizadas ao longo dos séculos: nelas se exprime inteiro o homem. Desde o Renascimento o retrato é um meio exemplar de representação do caráter psicológico, e das aspirações sociais do indivíduo. A postura, o traje, os acessórios participam de um complexo jogo de relações entre a realidade e os símbolos em que se revela a personalidade do retratado. As pinturas de Tiziano, de Velázquez, de Goya dialogam com as dos mestres da pintura moderna, Manet, Picasso, Toulouse-Lautrec, que nelas se inspiraram para revelar os ideais e os anseios do homem contemporâneo.


1552 / Tiziano
Retrato do Cardeal Cristoforo Madruzzo
210 x 109 / Óleo sobre tela



1624 / Velázquez
Retrado do Conde-Duque de Olivares
203 x 106 / Óleo sobre tela



1809-1813 / Goya
Retrato de Dom Juan Antonio Llorente
189 x 114 / Óleo sobre tela




2. Camille Corot: Cigana com Bandolim

Pelo controle da composição e das relações entre as cores, nas quais está baseada toda a construção da imagem alcançando uma perfeição e acabamento individual únicos, Corot ocupa um lugar à parte entre os mestres do século XIX. Nesta obra prima do pintor, retrato de uma famosa cantora, a lembrança das ciganas, ou dos jovens músicos de Caravaggio, confere um ar de eterna boemia, fora das convenções.


1874 / Camille Corot
Cigana Com Bandolim
80 x 57 / Óleo sobre tela




3. Gustave Courbet: Juliette Courbet

Pinturas ásperas em que a cor constrói a forma com pinceladas de carne, plasticamente, exprimindo com toda a sinceridade possível o afeto do irmão e o profundo conhecimento do caráter das duas mulheres e suas diferentes virtudes. Dura, imediata e concreta a mais velha, suave, meiga, um pouco sonhadora, a mais jovem com seu sorriso tímido e o olhar encantador


1874 / Courbet
Juliette Courbet
81 x 65 / Óleo sobre tela




4. Honoré Daumier: Os Emigrantes

A carreira de Daumier ocorre sobre sob o signo de um incoercível engajamento político e social. O tema trágico dos imigrantes, recorrente na sua obra em pintura e em escultura, possui aqui efeitos extremamente dramáticos de modelado e de claro escuro, semelhantes aos dos famosos desenhos do pintor, que tendem a confundir cada figura em ondas sucessivas de massas em deslocamento


1855 / Daumier
Os Emigrantes
35 x 75 / relevo em gesso




5. Eugene Delacroix: O Inverno

À delicadeza das obras de juventude de Delacroix substitui-se aqui uma solidez magistral que despreza a correção das anatomias das poses e dos arranjos da composição, enquanto a textura vibra como um denso coral. O sentido pânico da natureza se exprime nessas telas na organização em espiral dos elementos da paisagem que dominam as figuras, e que se correspondem de uma tela a outra, produzindo um jogo constante entre o côncavo e o convexo.


1856 - 1863 / Delacroix
O Inverno
196 x 166 / Óleo sobre tela




6. Auguste Renoir: Rosa e Azul, as meninas Cahen d’ Anvers (22)

Renoir, pintando Rosa e Azul, mostra na vibração da superfície e das cores vivas que compõem os vestidos das meninas toda a vivacidade e a graça instintivamente feminina que se esconde atrás da convenção da pose, todo o frescor e a candura da infância. As meninas quase se materializam diante de observador, a de azul com o seu ar vaidoso e a de rosa com um certo enfado, quase beirando as lágrimas


1889 / Renoir
Rosa e Azul As Meninas Cahen d’Anvers
119 x 74 / Óleo sobre tela




7. Auguste Renoir: Banhista enxugando a perna direita (27)

Uma feminilidade envolvente, carregada de sensualidade emana da Banhista, em que o volume do corpo parece exceder os limites do quadro e a luz meridiana acentua o sentido de paz comunicado por esta Vênus moderna.


1910 c. / Renoir
Banhista Enxugando a Perna Direita
84 x 65 / Óleo sobre tela




8. Paul Cézanne: O Negro Cipião (30)

A pincelada fluida e construtiva, os brancos intensos, a exagerada extensão de alguns membros, como os braços, o abandono da pose traduz a condição humana do modelo. Nessa obra Cézanne abre o caminho da arte contemporânea desvendando a autonomia da forma em relação aos dados da realidade, e a sua natureza emotiva.


1866-1868 / Cézanne
O negro Cipião
107 x 83 / Óleo sobre tela




9. Paul Cézanne: O Grande Pinheiro (33)

Uma das obras primas da paisagem moderna. O pintor humaniza os lugares e a natureza transmitindo-lhes vida, movimento e sentimento através da intuição exata da forma e da textura. Domina nesse quadro uma concepção lírica na qual a árvore é representada como um herói, um personagem imortal, desde o tronco torturado até os galhos e as folhas que quase alcançam o céu.


1890-1896 / Cézanne
O Grande Pinheiro
89 x 70 / Óleo sobre tela




10. Edouard Manet: O artista

A magistral modulação dos pretos e dos ocres revela o quanto Manet admirava os grandes retratos de Tiziano, de Velásquez e de Goya, como aqueles do MASP. Ele representa o artista boêmio, no seu traje esfarrapado, preenchendo o seu cachimbo de gesso, com um cachorro de rua como seu companheiro. O retrato de Desboutin nos remete à figura do clochard, o mendigo das ruas parisienses, metáfora do artista moderno, em seu misto de pobreza e altivez, de loucura e sabedoria


1875 / Manet
O Artista
192 x 128 / Óleo sobre tela




11. Toulouse-Lautrec: O Divã

O pintor da vida moderna alimenta a sua arte da observação da realidade social da grande cidade em que ele mergulha revelando sem piedade a beleza terrível das suas contradições Magnífica é a composição desta cena de prostíbulo parisiense, construída como uma instantânea, na ponta do lápis, com as três figuras imersas no veludo do imenso divã, enquanto uma quarta apresta-se a sair do campo visual.


c. 1893 / Toulouse Lautrec
O Divã
60 x 80 / Óleo com essência sobre cartão




12. Toulouse-Lautrec: A bailarina Loïe Fuller - A Roda

No final do século XIX e no começo do XX a evolução dos costumes sociais faz com que a figura feminina adquira novas facetas, mais complexas e às vezes inquietantes, provocativas e misteriosas. Loïe Fuller foi celebrada em Nova Yorke e Paris como dançarina, conferencista, e show-woman. Um jornalista da época definiu o seu espetáculo no Folies-Bergère como “uma apoteose da idade moderna”.


1893 / Toulouse-Lautrec
A Bailarina Loie Fuller - A Roda
63 x 47 / Guache sobre cartão




13 . Edgard Degas – Mulher enxugando o barco esquerdo (52)

Esvaziado de toda conotação acadêmica e de todo lirismo, o nu feminino em Degas é objeto de uma rigorosa pesquisa do corpóreo como um mero mecanismo em ação. Só esquecido de si pode o corpo revelar a potencia do seu ser, num instante. Os desenhos do pintor, assim como suas esculturas, inovam os fundamentos da representação do corpo na arte moderna, inserindo o impressionismo no grande tronco da tradição clássica.


1884 / Degas
Mulher enxugando o Braço Esquerdo
58 x 64 / Pastel sobre papel




14. Van Gogh: O Escolar

Uma das mais tocantes entre as muitas figuras de crianças do acervo do MASP. O tema, aparentemente banal, é elevado pelo artista à dignidade da reflexão sobre esta idade em que se forma o caráter. Van Gogh trata o tema da infância, recorrente no final do século XIX, com uma sensibilidade nova, penetrante e dolorida. No quadro, a cor acesa e o ritmo agitado da linha traduzem, como num filme de Truffaut, todas as inquietudes da idade.


1888 / Van Gogh
O Escolar (O Filho do Carteiro - Gamin au Képi)
63 x 54 / Óleo sobre tela




15. Vuillard: O Vestido estampado

No Vestido estampado o pintor francês tenta evocar por meio da textura, da cor viva e das formas dinâmicas e sinuosas do Art Nouveau a atmosfera misteriosa e feminina do ateliê onde a mãe e as irmãs costuravam vestidos de moda para as senhoras da alta sociedade. A pintura de Vuillard é comparável às poesias de Mallarmé, nas quais o som do verso é valorizado pelas pausas e subtrações, enquanto nas telas os tons de cor se destacam pela intensidade conduzindo o olhar.


1891 / Vuillard
O Vestido estampado
38 x 46 / Óleo sobre tela




16. Boldini: O Poeta Havin

A obra revela plenamente a finura de observação do artista em tracejar a figura do flaneur , um habitante típico da grande metrópole moderna: o que passeia nas ruas a procura de oportunidades para agir, para refletir, para amar. Ótimo exemplo daquela pintura urbana e de costume que para o poeta Baudelaire era uma das fontes principais da estética moderna.


1895 - 1900 / Boldini
O Poeta Havin
48 x 24 / Óleo sobre painel




17. Paul Gauguin: Auto-retrato Porto de Golgotá

No último Auto-retrato pintado em Taiti, pouco antes de morrer, Gauguin se identifica com a imagem do Cristo sofredor traduzindo sua própria angustia. O mal de viver parece tomar forma de figuras de ídolos vindo de um passado longínquo da humanidade que fitam o artista com um olhar maligno. Como nas últimas palavras da novela Coração de Trevas de Joseph Conrad o olhar parece exprimir horror e uma solidão sem fim.


1896 / Gauguin
Auto-Retrato (Perto do Gólgota)
76 x 64 / Óleo sobre tela




18. Henri Matisse: O torso de gesso

A obra traduz com a máxima exatidão a percepção da vida dos objetos na luz do ateliê. É uma declaração de poética. Com um equilíbrio formal único, inspirado nas naturezas mortas de Cèzanne, Matisse convida-nos a uma comparação entre a sensação palpável transmitida pela brancura do gesso, a escultura de sua autoria representada em desenho na parede, a transparência sólida do copo de vidro, o efêmero brilho das cores das flores.


1919 / Henri Matisse
O torso de gesso
113 x 87 / Óleo sobre tela




19. Picasso: Retrato de Susane Bloch

Esta obra prima da época azul do pintor, evidencia na sua construção a segura intuição da forma plástica desenvolvida posteriormente na técnica do período cubista. A definição do caráter psicológico da figura por meio das cores e da forma é perfeita: uma franca sensualidade, uma vontade obstinada, uma alma sensível, uma beleza dura, que intimida mas capaz de feminina ternura.


1904 / Picasso
Retrato de Suzanne Bloch
65 x 54 / Óleo sobre tela




20. Picasso: Busto de Homem

Este boxeur cubista parece mostrar na cor os lívidos dos punhos recebidos na luta: tal qual um destes heróis modernos cujos rostos intumescidos são imortalizados pelas fotos dos jornais como se fossem monarcas primitivos. Portador de certo pathos expressionista, o Busto revela as pulsões emotivas do cubismo das Demoiselles d’Avignon.


1909 / Picasso
Busto de Homem (O Atleta)
93 x 72 / Óleo sobre tela




21. Max Pechstein: Veleiros na tempestade

A violência brutal da paleta, o ritmo frenético das pinceladas, a instabilidade de uma composição desenquadrada e saturada de diagonais e o dinamismo desenfreado das formas são alguns dos efeitos necessários de uma radical espiritualização da natureza. Na tela ela revela-se no que tem de mais hostil ou indiferente ao homem – sua fúria elementar -, fonte para o expressionismo de uma nova beleza.


1910 / Pechstein
Veleiros na tempestade
38 x 46,8 / Óleo sobre tela




22. Amedeo Modigliani: Renée

A feminilidade de Renée revela-se nos olhos verdes e na chama vermelha dos cabelos que animam o oval do rosto perfeito alisado como a madeira de uma máscara africana. As personagens de Modigliani se assemelham a esculturas góticas, longilínias, alongadas, tal qual um girassol que abre as suas pétalas radiantes procurando o astro de quem é a imagem.


1917 / Modigliani
Renée
61 x 38 / Óleo sobre tela




23. Claude Monet: Ponte japonesa

Monet evoca as cores do jardim que ele próprio cultivou na sua casa de campo e que pintou repetidas vezes entre 1899 e 1900, reproduzindo as constantes variações de luz e de cor até dissolver a imagem na vibração colorida da superfície. A obra, toda construída em tonalidades azuis esverdeadas tende quase à monocromia e procura efeitos de profundidade no contraste dos tons, ora mais escuros, ora mais luminosos: efeitos ao mesmo tempo espaciais e emotivos.


1920-1924 / Monet
Ponte Japonesa
89 x 92 / Óleo sobre tela




24. Fernand Leger: Compoteira de pêras

Na pintura moderna a composição de natureza morta foi usada pelos pintores de vanguarda para os mais variados experimentos formais. As frutas são tratadas como os objetos industrializados que compõem a vida cotidiana, a intensa cacofonia da cidade moderna, a justaposição de faces luminosas e de cor pura, de letras, de luzes, e de ímagens da galopante invasão do aço na paisagem urbana.


1923 / Legér
A Compoteira de Peras
79 x 98 / 86 x 104,7 x 4 / Óleo sobre tela




25. Jacques Lipchitz: Pierrot com bandolim

A interpretação das linhas retas, vertical e horizontal, nos volumes sinuosos, representando sinteticamente a cabeça, o braço e o instrumento musical, confere ao bronze uma proporção musical e um timbre sentimental, lembrando as mascaras primitivas ou as de Picasso. O jogo entre côncavo e convexo proporciona a vista frontal um equilíbrio monumental que pousa suavemente nos três membros inferiores do objeto conferindo-lhe vida.


1925 - 1930 / Lipchitz
Pierrot com Bandolim
45,5 x 19,5 x 21 / bronze




26. Maurice de Vlaminck: Paisagem hibernal

As cores puras constroem plasticamente a imagem e a atmosfera ao mesmo tempo, a perspectiva é distorcida, as formas são simplificadas até reduzir-se a signos básicos enquanto as cores vivas reforçam o impacto emotivo da cena. A paisagem possui feições próprias, com fisionomia sombria, opressiva, ameaçadora, toda feita de tempestades que se anunciam, de ímpeto matérico e de uma gama de tonalidades plúmbeas, de enorme violência expressiva.


c. 1928 / Vlaminck
Paisagem Hibernal (Garage)
89 x 116 / Óleo sobre tela




27. Chaïm Soutine: A Grande Árvore

A obra é relacionada á situação aterrorizante da Europa durante a Segunda Guerra Mundial. A pintura exprime no movimento violento dos ramos da Grande árvore, e nos grumos de cor que movimentam a superfície da tela, a angustia pela tempestade da guerra e pela injustiça que Soutine sente chegar como um vento cego. Contra ela é preciso opor a resistência que o gigantesco carvalho opõe à fúria do céu.


1942 / Soutine
A Grande Árvore
99 x 75 / Óleo sobre tela




28. Wols (Alfred Otto Wolfgang Schulze): Harmonia em vermelho-branco-preto

A obra evoca as imagens do inconsciente e até os grafites do mundo primitivo. A pintura é um exemplo do expressionismo abstrato europeu do pós-guerra; nela permanece a influência do gesto instintivo dos surrealistas na construção da imagem, e a cor viva e agressiva dos expressionistas alemães. A matéria jogada de forma livre na tela, lembra o Action Painting (“a pintura de ação”) de Pollock e outros artistas norte-americanos, valorizando os efeitos expressivos e espaciais do relevo e da textura das superfícies coloridas.


1947 / Wols
Harmonia em Vermelho-Branco-Preto
99 x 77 / Óleo sobre tela




29. Max Ernst: Bryce Cânion Translation

A imagem do mestre surrealista alemão não representa, mas evoca o objeto por meio das texturas e dos acidentes provocados pelas próprias matérias. Desmoronamentos, abismos, fendas, pontas, agulhas sugerem a paisagem mágica de um Novo Mundo fantástico, transformando em ambíguas figuras a geologia do cânion americano. Aparece uma multidão pétrea fervilhando, trasladada para novos ínferos depois do dilúvio da Segunda Guerra Mundial. A obra fez parte de um portfólio dedicado aos parques nacionais dos Estados Unidos pela revista Fortune em 1947.


1946 / Ernst,Max
Bryce Canion Translation
50 x 39 / Óleo sobre tela




30. Igor Larionov: Dois cavalheiros

De linguagem provocadoramente infantil, o quadro testemunha uma aproximação da vanguarda russa ao grupo expressionista alemão Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul). As figuras são simplificadas à maneira das xilogravuras populares russas; os militares vestidos de azul e de vermelho, como heróis dos contos de fadas, deixam para trás a campina ensolarada e a casa dos camponeses, e adentram a floresta obscura, ameaçadora. As patas dos cavalos recalcitrantes levantam respingos de lodo do pântano, parece de ouvir os cachorros ladrar agitando-se e pressentindo algum perigo.


1910 / Larionov
Dois Cavaleiros
50 x 69 / Óleo sobre tela




31. Torres Garcia: Igreja em Terrasa

As notações do jogo das manchas, dos diferenciais de luz na angulação dos muros, a presença meditativa dos ciprestes ligeiramente batidos pelo vento, o tratamento das nuvens em formações instáveis, revelam em Torres Garcia o verdadeiro paisagista. Esta sensibilidade lhe permitirá de traduzir de forma original as instâncias do cubismo, sendo um dos mais importantes artistas da vanguarda moderna na América Latina.


1914 - 1919 / Torres Garcia
Igreja em Tarrasa
33 x 42 / óleo sobre tela





Veja também:
  • O Impressionismo no Masp e o predomínio da figura


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